quinta-feira, 30 de julho de 2009

Um amigo falou-me de um livro que comparava a vida a uma viagem de trem.Uma comparação extremamente interessante,quando bem interpretada.Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco: nossos pais.Infelizmente, isso não é verdade; em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível....mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser super especiais para nós, embarquem. Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos.Muitas pessoas tomam esse trem, apenas a passeio, outros encontrarão essa viagem somente tristezas, ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa.Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por ele de uma forma que, quando desocupam seu acento, ninguém nem sequer percebe.Curioso é constatar que alguns passageiros, que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos; portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante a viagem, atravessemos, com grande dificuldade nosso vagão e cheguemos até eles....só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já terá alguém ocupando aquele lugar. Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas...porém, jamais, retornos.Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando, sempre, que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisaremos entender isso, porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá.O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.Eu fico pensando, se, quando descer desse trem, sentirei saudades....acredito que sim, me separar de alguns amigos que fiz nele será, no mínimo dolorido deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos, com certeza será muito triste, mas me agarro na esperança que, em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram..... e o que vai me deixar feliz, será pensar que eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado valiosa.Amigos, façamos com que a nossa estada, nesse trem, seja tranquila, que tenha valido à pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem.
Mãe!Você foi e sempre será minha bagagem mais valiosa...!!Te AMO muito

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Gente esquisita!

Eu estava solitário como sempre, em um bar típico e comum do subúrbio carioca, vestindo minhas típicas roupas esquisitas, sendo tipicamente um desajustado social que bebe cerveja e vodka às quarta-feiras e acorda na quinta sem ressaca. Eu estava lá. Pensando em qual momento da minha vida eu havia decidido ser um sujeito totalmente desprovido de afeto e sem a mínima necessidade de vida sentimental aparente. Eu acho que esse é o tipo de coisa que agente não planeja, só vai acontecendo. A maioria das pessoas que se casam e tem uma considerável vida social e afetiva relativamente normal, meio que não escolhem isso, as coisas só vão acontecendo. As coisas vem acontecendo na vida meio que por intervenção externa. Derrepente você resolve chegar naquela garota, e ela aceita, e aí algum tempo depois você está namorando(tem gente que nem pede o outro em namoro, só passa a ser namorado assim sem um momento marcado oficial) e aí noiva por que gosta da namorada, escolhe o melhor emprego que lhe vier à mão(e não aquele de bombeiro que sonhou quando era criança), e quando menos percebe ela está grávida! E assim continua o ciclo sem fim como diriam os produtores de "O rei Leão".Comigo aconteceu mais ou menos assim, eu nunca escolhi realmente ficar sozinho, nem ser "O cara esquisito da mesa de bar", na verdade eu nem planejei estar em uma mesa de bar em plena quarta-feira. Na verdade eu nem gosto de cerveja... Nessa hora é que eu percebi que uma coisa senão inédita, muito rara está acontecendo: Na mesa à frente, de frente pra mim, uma moça esquisita, com um sorriso esquisito, vestindo roupas esquisitas, e bebendo cerveja com vodka em plena quarta-feira. Mas o mais esquisito não era o fato de ela ter tão mal-gosto pra se vestir quanto eu, e nem o hábito absurdo de encher a cara bem no meio da semana sem acordar de ressaca no dia seguinte. O que de fato me era inédito(ou senão completamente raro) é que sem nem disfarsar fingindo pudor ela estava deliberadamente me olhando! Mas ela não tava me olhando com aquele típico olhar "Argh, que nojo", mas sim com um olhar de quem estava flertando mesmo! Era bom demais pra ser verdade, eu não podia falhar! Pra ter certeza de que ela não estava me olhando por que eu estava com a cara suja, com um bigode de cerveja ou com alguma sujeira no dente, puxei meu espelho de bolso e comecei a examinar o rosto pra ver se não havia nada de errado(só pra não ficar com falsas esperanças sabe?), mas quando me dei conta de que não havia nada de errado comigo eu olhei pra cara dela e ela tava meio que rindo... Provavelmente rindo do palhaço que quando tem uma garota flertando com ele puxa um estúpido espelho de bolso pra ficar esfregando os dentes da frente com os dedos! Droga essa é a história da minha vida sempre estragando tudo! Mas aí quando eu já comecei a sentir o rosto ficar quente de vergonha, eu olhei pro lindo rosto pálido dela, ela olhou pro meu (Não tão) lindo rosto pálido e então ela levantou a mão e acenando ela disse "Oi". Bem assim, igualsinho no comercial, só que sem voz, pois ela só tinha abanado a mão direita, o que significava que ela era destra e daria uma excelente datilógrafa e enfermeira. Não sei o que isso tem a ver, mas quando eu fico nervoso não consigo me concentrar no assunto, e um assunto me levando a outro dentro da minha cabeça, e eu me esqueci de responder! Levantei a mão em um golpe rápido no ar e acenei também! Ela sorriu, e sinalizou com a mão como quem diz que queria conversar comigo. Eu fiz que sim com o polegar, e ela levantou e se sentou na mesma mesa que eu! Eu olhei pra cara dela e ela olhou pra minha. Eu tentei mover a boca, e ao mesmo tempo ela também. Foi aí então que caiu a ficha: Ela era muda! E provavelmente por causa disso também deveria ser solitária, e ao me ver ali sozinho pensou que eu fosse mudo também, e agora ela estava falando comigo sinalizando alguma coisa que eu não sabia bem o que era, mas se fosse pra arrumar uma companhia mesmo que fosse muda, valeria à pena tentar se comunicar. Ficamos ali por cerca de duas horas trocando sinais. Pelo que entendi, ela era tatuadora, e morava com os pais, detestava pimenta e adorava rock. Não foi uma noite exatamente mágica, mas completamente inovadora pra mim, conversar pela primeira vez com uma pessoa sem o dom da fala meio que abriu a minha mente para um novo horizonte me fazendo enxergar assim um novo universo. entre um levantamento de copo e outro tomei coragem de pedir à ela um beijo(ainda somente em linguagem de sinais, é claro)e ela me beijou. O universo dela era completamente diferente do meu, porém completamente idêntico, pois sua vida provavelmente aconteceu exatamente igual à minha, de decisões não tomadas apenas fatos que iam acontecendo uns atrás dos outros levando-a exatamente aonde está agora! Eu nasci esquisito, e ela nasceu muda.Nasceu muda?! Eu nem sabia se ela realmente havia nascido muda, eu apenas fui concluindo isso, e esse era o tipo de pergunta complexa na qual não dava pra perguntar somente em linguagem de sinais. Então larguei todo esse meu espírito de altruísmo e empatia e resolvi perguntar em voz alta logo depois do beijo:
-Então, você é muda?
Ela responde:
-Não. E você?
Bom, foi assim que eu conheci a Camila, uma garota esquisita que não sei por que achou que eu era mudo! Aff,detesto gente esquisita, por mim essas criaturas tinham que morrer sozinhas!