"Por favor, eu juro que quando escrevia aquelas coisas eu não sabia que iria iniciar uma grande e meteórica revolução na sociedade, dando início a uma nova ordem mundial...". Vai ser isso que eu vou dizer pra os federais daqui há uns dez anos se quando eu for governador do mundo for pego novamente em um daqueles escândalos com minha secretária(Giselle Biuthen) igual o Bill Clinton fez na Casa Branca. Mas mal sabem eles que toda historia tem um início, e toda a minha brilhante(e curta) carreira como escritor/articulista/blogueiro também teve um início(Igual na triologia de " O Senhor dos anéis").
Foi mais ou menos assim ó:
Rodrigo Merêncio, Abril de 1999, 13 anos de idade, 5° série do ensino fundamental.
A professora achou que a turma já estava bem grandinha e resolveu fazer uma redação com o tema "sexo" ou assuntos relacionados a esse tema.
No dia seguinte, cada aluno foi à frente da classe pra ler sua redação. A Anna Lúcia(a garota mais linda da escola) falou sobre antigos rituais sexuais, enquanto o Gerson (O cara que comia macarrão pelo nariz) "falava" sobre masturbação etc. e blá blá blá...
Até que enfim, chegou a minha vez:
-E então José Rodrigo, você fez a redação dessa vez?
Caso você ainda não saiba esse é o meu nome. Eu era meio que aquele carinha esquisito que fica sentado no fundo da sala, nunca prestava atenção, mas que virava o melhor amigo de todo mundo no final do semestre por que sempre gabaritava as provas. Eu tinha um histórico de nunca fazer os deveres de casa.
-Fiz sim Sra.
-(Prfª. com cara de surpresa) Sério?! Então vem ler pra gente!
Fui na frente da turma e comecei a ler o que seria a primeira crônica da minha vida:
-"Era uma vez no velho oeste, há muitos, muitos anos. No relógio da igreja batiam 18hs. Nuvens de poeira arrastavam-se pela cidade semi-deserta. O sol já ofuscava o horizonte e tingia as nuvens de tons vermelhos. De súbito recortou-se a silhueta de um cavaleiro.
Lentamente, foi se aproximando da cidade... Ao chegar à entrada desmontou. O denso silêncio foi perturbado pelo tintilar das esporas.
O cavaleiro chamava-se Jhonny.
Vestia-se todo de preto, à exceção do lenço vermelho que trazia ao pescoço e da fivela de prata que segurava os dois revólveres na cintura. O cavalo, companheiro de muitas andanças, dirigiu-se hesitante à uma poça de água. O velho cavalo caiu morto com um buraco na testa. O cheiro da pólvora vinha do revólver que já tinha voltado para o coldre na cintura de Jhonny.
Jhonny não gostava de cavalos desobedientes.
Jhonny dirigiu-se para o bar. Quando estava subindo os três degraus da escada de madeira o mendigo que estava na porta lhe tocou e pediu uma esmola... Três tiros foram ouvidos. O esmoleiro esvaiu-se em sangue...
Jhonny não gostava que lhe tocassem!
Jhonny entrou no bar foi até o balcão, e pediu ao barman uma cerveja. Jhonny provou e fez uma careta... Mais três tiros foram disparados.
Jhonny não gostava de cerveja morna, e odiava barmans relapsos.
Outros vaqueiros que estavam ali parados ficaram surpresos e olharam para Jhonny... Muitos outros tiros foram disparados... Ninguém conseguiu reagir(Jhonny era rápido no gatilho)...
Jhonny não gostava de ser o centro das atenções!
Saiu do bar. Deslocou-se até o centro da cidade para comprar um cavalo. Passou por ele um grupo de crianças a brincar enquanto levantavam uma nuvem de poeira. Outros tantos disparos foram ouvidos, e desta vez os dois revólveres empunhados. Jhonny não gostava de poeira, e achava que crianças faziam muito barulho...
Jhonny não gostava de crianças barulhentas!
Comprou o cavalo, e quando pagou, o vendedor enganou-se com o troco. Apenas mais um tiro...
Jhonny detestava quando enganavam-se com o troco.
Montou no novo cavalo e saiu da cidade. Mais uma vez a sua silhueta cortou-se no horizonte, desta vez com o sol já quase recolhido. Todos aqueles mortos jaziam no chão, e até o silencio era vazio e pesado...
Até que sua silhueta desaparece completamente no horizonte.
Fim."
Nessa hora eu me sentei, tentando ignorar o fato de a turma toda estar me olhando petrificada! A profª ainda que meio chocada(levemente assustada) elogia a forma como eu redigi o texto e pergunta:
-Mas José Rodrigo, o que é que isso tem a ver com o tema que era "sexo"?!
Aí eu levantei uma das sombrancelhas, dei quele sorrisinho sarcástico que só eu sei dar(o James Bond copiou de mim) e respondo:
-O Jhonny era F.O.D.A.!
